O desfile da escola de samba que homenageou a trajetória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Sapucaí, embora marcado por "muita emoção" segundo o próprio mandatário, acendeu um alerta vermelho no núcleo político do governo. O que deveria ser apenas uma celebração cultural transformou-se rapidamente em um novo foco de tensão política e jurídica.
Segundo apuração da analista Clarissa Oliveira, o entorno do presidente admite, nos bastidores, a preocupação com possíveis desdobramentos no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O motivo não foi apenas a homenagem em si, mas o tom adotado na avenida: o enredo trouxe citações explícitas ao ex-presidente Michel Temer e retratou Jair Bolsonaro de forma caricata, associado à figura de um "Bozo".
A Reação da Oposição e o Risco Jurídico
A resposta dos adversários foi imediata. Parlamentares da oposição, incluindo o senador Flávio Bolsonaro e representantes do partido Novo, já anunciaram que irão acionar a Justiça Eleitoral. A tese é de que o desfile pode ter configurado propaganda irregular ou abuso de poder, dado o potencial de influenciar a opinião pública em um ano politicamente sensível.
O time jurídico de Lula, que havia sido consultado antes do evento, agora avalia os danos. A admissão de risco no TSE reflete o temor de que a Corte, provocada pela oposição, endureça o entendimento sobre o uso de manifestações culturais para fins que possam ser interpretados como eleitorais.
Enquanto aliados tentam minimizar o episódio, classificando as críticas como exagero ("procurar pelo em ovo", nas palavras de Guilherme Boulos), a estratégia do Planalto agora se volta para a contenção de danos, buscando evitar que a festa na Sapucaí se transforme em uma dor de cabeça jurídica prolongada para o presidente.

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