Quando passo pelo centro da cidade de Coari e por muitas outras ruas de nossa cidade e vejo o lixo tomando de conta das vias públicas aos montões, ao mesmo tempo em que todos seguem normalmente suas vidas como que ignorando o que está acontecendo, sem nenhum sinal de repúdio evidente, de protesto eloquente, sem nada que revolte com o quadro de imundície em que se encontra a cidade, reflito sobre como há certa alienação com a vida em sociedade, com o coletivo. É intrigante ver que a voz coletiva se cala diante da imundície que toma de conta de nossas ruas, não porque não haja recursos suficiente para isto, como se fosse natural ver montões de lixo agrupados em torno de ruas, esquinas e principalmente da feira do produtor rural onde frutas e verduras são comercializadas ao lado da falta de higiene clara e evidente.

Qualquer assunto político partidário traz mais discussão e paixão por parte das pessoas do que o agravo a vida em comum. Os interesses pessoais falam muito mais forte que os interesses coletivos. As vozes que se alteram quando trata do nome deste ou daquele para assumir a prefeitura de Coari, silenciam quando deveriam ecoar os problemas da cidade. É como se ao passar o período eleitoral, a coleta de lixo, o pagamento de funcionários, o atendimento nas UBS ou mesmo o funcionamento do aparelhamento público perdesse sua importância total... Por que o importante mesmo seria fazer política partidária.


Enquanto nós cidadãos coarienses nos preocupamos muito com a política partidária, os assuntos de interesse coletivo vão ficando à margem. Há prova maior do que estamos vivendo esta semana em Coari? Já há quase um mês que a coleta de lixo segue precária e ultimamente os efeitos estão sendo sentidos claramente em frente às escolas, residências, feiras, mercado, ruas e esquinas... E o que fazemos? Nos calamos. Simplesmente.