Ainda que Mitouso possa recorrer em liberdade e na posse de seu mandato, a condenação do atual prefeito de Coari é uma demonstração de que o entendimento da justiça é que Arnaldo foi sim o autor dos tiros que matou Odair Carlos Geraldo. Se não fosse a demora em julgar o caso e o fato dos eleitores terem votado em Arnaldo para dar a ele as prerrogativas legais ele não estaria agora com essa premissa de manter o mandato com fórum privilegiado.

Mesmo assim, a decisão é mais que simbólica, é emblemática. Arnaldo perde virtualmente o mandato, mas a população quer ele fora de qualquer jeito. Já deu no que tinha que dar. Uma pessoa que não tinha condições morais para chegar aonde chegou está deixando milhares de famílias coarienses sem ver a cor de seus salários, fazendo um município que tem uma arrecadação mensal de em média de 17 milhões por mês, viver o maior arrocho de sua história, simplesmente porque o dinheiro some como manteiga em nariz de gato.

A decisão de hoje mostra que a justiça cumpre o seu papel. A família que perdeu seu pai, a cidade que perdeu seu prefeito, os amigos verdadeiros que perderam seus amigos sentiram um alívio que somente a justiça pode oferecer. Isso deve servir para dar um basta em tanta violência. Já chega de tentar resolver as coisas na bala, como se ser violento fosse identificação de hombridade. Ser homem, não é ter a capacidade de andar portando uma arma, mas de melhorar o mundo através de ideais.

Arnaldo certamente vai recorrer e manter-se no mandato, como uma sobrevida. Mas seu mandato já acabou para os coarienses. Já acabou para o Estado do Amazonas. Já acabou para a Justiça Amazonense. A vida do ser humano tem valor e não deve ser posição de prefeito, cargo ou dinheiro que sobreponha ao valor de uma vida humana. O Tribunal de Justiça do Amazonas mostrou que para a Justiça Amazonense, a vida do ser humano tem valor.