O cenário que restou no bairro Nazaré Pinheiro, na periferia de Coari, é típico de um devastador furacão. Dezenas de barracos e até casas com fundação e piso em alvenaria foram reduzidos a destroços, resultado de uma ação (de acordo com os desabrigados) comandada pelo secretário municipal adjunto de Defesa Social, Orlando Bayma. 
 
No inicio da tarde desta segunda-feira (28), famílias inteiras choravam enquanto tentavam salvar pedaços de telhas e pedaços de madeira. A ação foi logo no início da manhã, quando Bayma chegou à área de quase cem hectares, de propriedade do município. Além da destruição os desabrigados perderam grande parte da madeira, que foram saqueadas.

Populares afirmam que o secretário agiu arbitrariamente com um trator, quatro guardas municipais, um brigadista e cerca de dez homens sem fardas munidos de terçado "e sem algum mandato judicial", protestou a viúva Florinda da Silva, 68 anos. Ela disse que desde a grande enchente de 2008 não tem casa própria e teve que fazer empréstimo bancário para comprar material de uma pequena casa juntamente com uma filha. "Agora está tudo destruído", lamenta.

Exatamente no dia que completava 25 anos, Edelson da Mota teve a casa destruída pelo trator e contou que há duas semanas, moradores daquela localidade estiveram na Câmara Municipal de Coari na tentativa de marcar uma audiência com o presidente, vereador Iranilson Medeiros, para reivindicar redes de água e de energia elétrica.

Terezinha Rodrigues Pinto, 54 e o marido Adalto Josué Pinto,66 contam que foram obrigados a sair de dentro do barraco que estavam construindo e "o trator derrubou tudo", contaram com desolação. Jeanisson da Costa Galdino, 24 anos, disse que estava trabalhando produzindo açaí quando soube a fatídica notícia. "Se fosse uma decisão da justiça, teria um aviso antes da destruição e eu sairia numa boa, mas perdi tudo o que juntei nos últimos dois anos", resignou-se.

O secretário Orlando Bayma foi procurado em seu gabinete, na Secretaria Municipal de Defesa Social, mas não foi encontrado por volta das 16h20 e nem ligou para o telefone deixado na portaria da SDS.


Com o jornalista Eledilson Colares