As dificuldades de acesso ao bairro Pêra estão sendo utilizadas
como uma espécie de  "castigo" aos dissidentes políticos do
governo de Arnaldo Mitouso, em Coari.

Os regimes ditatoriais, principalmente quando estão em Estado de Guerra, criam campos de concentração, onde os inimigos sob a dureza da vingança são levados como prisioneiros de guerra. Dois campos de concentração ficaram famosos: o de Auschwitz durante a Segunda Guerra Mundial, utilizado pelos nazistas e mais recentemente o de Guantánamo utilizado pelos americanos. Embora normalmente os campos de concentração sejam usados por países em guerra, também há registros de uso de instalações desse tipo para confinamento de dissidentes políticos, por regimes ditatoriais.

Guardada as devidas proporções, o Bairro Pêra foi promovido a um tipo de campo de concentração pela SEMED da Prefeitura de Coari, pois é para lá que estão sendo enviados todos os dissidentes do atual governo municipal. Que ousou discordar, emitir opinião diferente da do governo municipal, quem se manifestou politicamente contra o atual governo ou quem exercia qualquer cargo de confiança no governo anterior é forte candidato a ser uma espécie de “exilado”, pois no entendimento dos gestores da SEMED Coari, as dificuldades de acesso e de trabalho do referido bairro podem representar uma espécie de castigo para os dissidentes do governo de Arnaldo Mitouso. E eu desconfiou que o chefe do executivo deve saber muito bem o que está acontecendo e assina em baixo para que aconteça, pois não é possível que ele esteja alheio a toda esta perseguição que está acontecendo em Coari.

Mais espantoso ainda é este tipo de comportamento surgir de uma secretaria que comanda a Educação no município. A educação que devia primar pelo pensamento crítico, pela dialética e pelo debate das idéias, mas a educação como instituição dobra-se aos caprichos da política, alimentando as vísceras de um mostro que cresce a cada eleição: a perseguição. É inevitável dizer que o nível da educação não tende a crescer com medidas discriminatórias, a tendência é contrária, tende a educação a retroceder quando falta profissionalismo e os caprichos tacanhos são valorizados. Justamente, na educação onde deveria haver um trabalho pedagógico para mudar a realidade em torno de uma busca da união de profissionais para um desempenho nas atividades do magistério, já pauta-se o magistério no exercício magoado de atitudes que não deveriam ser valorizadas.

O Pêra não é o fim da educação em Coari e nem o exílio ou campo de concentração dos profissionais. O fim da educação é a falta de profissionalismo, a falta de comprometimento com o ser humano, a falta de separação da politicagem na gerência dos profissionais, a desvalorização dos professores e a falta de apoio aos quem muito bem poderiam render melhor se não fossem esses melindres bobos de uma vingança sem sentido. O Pêra não é um campo de concentração.