Muito mais que uma importante conquista política, mais que a vitória de um grupo político que lutou muito para chegar ao poder e implantar as mudanças necessárias para a conquista da justiça social a prática do atual governo mostra a grande diferença que há entre a promessa e o cumprimento da mesma. A palavra perseguição está tão evidente quanto a falta de bom censo de quem assumiu o governo para todos e o faz para alguns. A coisa anda tão escancarada que já está dando nas vistas e pegando mal.

Uma líder rural me narrou a experiência que ela mesma viveu esta semana na Secretaria de Infra-Estrutura e Desenvolvimento Rural. Ao questionar o porquê da mudança de líder na comunidade, o responsável pelo setor perguntou: “Você voto no 22 ou no 33?”. Após a resposta da líder ele ratificou: “Se na comunidade viverem duas pessoas que é do 33 e os outros forem 22 o novo líder será escolhido entre os dois que eram 33!”. Escutei a narrativa estupefato, muito mais pelo descaramento como o assunto foi tratado. Ela encerrou o comentário com uma pergunta: “E os comunitários, a opinião deles não tem valor?

O homem rural é simples, mas não é bobo. Ele sabe ler nas entrelinhas do caráter das pessoas. Na simplicidade do caboclo a veracidade das suas palavras aparece.

O que mais entristece nesta narrativa é a forma descarada com que o assunto é tratado. Sem reservas, sem lembrar a justiça tão prometida, a ditadura tão combatida e a liberdade tão desejada. Os valores sociais não podem ser segmentados, e quando há segmentação o impacto é extremamente negativo. Se o repúdio a tal prática não ganha as páginas do jornal, aos poucos a boca miúda vai espalhando de casa em casa, de vizinho para vizinho, chegando aos lugares mais distantes com a força da rejeição de um organismo vivo como que por um câncer. Um corpo estranho, que com o passar do tempo a própria sociedade cuida de extirpar.

O pior de tudo é que as pessoas teimam em cair nos mesmos erros. Repetido velhas práticas reprováveis. Aos poucos, ferindo de morte o que as pessoas mais prezam: a liberdade individual. Ouso dizer: Não adianta negar e nem justificar, os fatos estão patentes.