O novo prefeito foi eleito em uma situação atípica, através de uma eleição suplementar, onde um pouco mais de 50% da população escolheu seu nome para governar o município, uma vantagem que não superou os 2% de diferença. Pra quem conseguiu uma eleição e garantiu administrar o segundo mais importante município do Estado do Amazonas querer comandar a câmara junto com a prefeitura pode gerar mais confusão que Coari não precisa neste momento. O que Coari necessita é que o novo prefeito mantenha o foco no trabalho, desenvolvendo políticas que preconizem o que foi anunciado em seu plano de trabalho e discurso de posse.
A Câmara Municipal é um poder independente do executivo e autônomo, e quando alguém é independente merece ser respeitado e as relações institucionais indicam que o respeito é bom alvitre e que a intromissão em assuntos que não sejam os seus só pode mesmo é gerar confusão. Se algum vereador que apóia o atual prefeito tem sonho de presidir a casa legislativa, tal vereador deve esperar o momento certo, o período em que a casa troca de presidente para pleitear o cargo. Se o prefeito tentar viajar no sonho de qualquer vereador e gerar situação política ou jurídica que traga alternância na Câmara, tal atitude vai envolver o município no meio de uma confusão que vai refletir na vida dos cidadãos atrasando mais uma vez o desenvolvimento do mesmo.
Hoje a realidade da Câmara é a seguinte: 8 vereadores de oposição e 2 de situação. Tudo indica que a Câmara saberá escolher seus representantes. Tentar envolver a câmara em briga jurídica pela presidência vai revelar mais uma vez que os vereadores são soberanos em sua decisão e o desgaste político vai sobrar para o prefeito. Tem vereador que sonhou ser prefeito, formou confusão. Tentou ser presidente, formou confusão. E no final da história se não tivesse formado tanta confusão era bem possível que realmente tivesse sido prefeito pela vias legais. Mesmo que alguém se ache esperto, haverá sempre alguém mais esperto à sua frente. Por isso a prudência é necessária. Por isso, para o prefeito de Coari prudência e canja de galinha não faz mal pra ninguém.
A Câmara quieta, sem que ninguém interfira em sua autonomia vai permitir a conciliação e a governabilidade. A câmara ameaçada vai gerar uma onda de confusão. Arnaldo lembra como os fatos políticos se desenrolaram quando foi presidente da Câmara e o prefeito da época tentou governar a prefeitura e a câmara. Na vida aprendemos com nossos erros e com os erros dos outros. A experiência de Arnaldo deve ser útil no trato com a câmara, de sorte que o sonho de terceiros não se transforme em pesadelo para o prefeito.