O que aconteceria se um meteoro caísse em Coari antes do dia 20 de setembro? Isso é bem possível de acontecer. Foi descoberto no dia 5 de julho deste ano um novo asteróide, o 2002 NT7. Segundo a Nasa, daqui a aproximadamente 17 anos (01/02/2019) ele poderá se chocar com a Terra. O tamanho deste asteróide é de 2 km de diâmetro e seu impacto na terra teria um efeito devastador, Segundo o astrônomo inglês Benny Peiser, da Universidade John Moores, de Liverpool, especialista em trajetórias de asteróides: "Na pior das hipóteses, um desastre dessa magnitude seria global em seu alcance, poderia arrasar nossa vida econômica e social e nos reduziria às condições da Idade Média". Mas imaginemos um desastre de menor intenção, com a queda de um pequeno pedaço de alguns metros de um astro terrestre atingindo em cheio a terra do petróleo e do gás natural, qual seria a reação de seus moradores?
Com certeza o impacto pegaria todos de surpresa, haveria um tremor de terras que derrubaria alguns prédios levando consigo bandeiras tremulantes de propaganda políticas, paredes com nomes e virtudes de candidatos desabariam, haveria pânico, choro, lamento e desespero. O vizinho que até pouco tempo xingava o outro estaria lamentando e pedindo socorro, as mãos que antes faziam sinais com números de candidatos estenderiam uns aos outros em um fluir de solidariedade. Um vizinho não deixaria de atender o outro porque era desta ou daquela posição política partidária, e as lágrimas das vítimas da tragédia seria misturada com o sentimento de finitude e da necessidade de solidariedade. Os rogos seriam elevados ao céu sem distinção de religião e os templos se abririam para socorrer as vítimas desesperadas. As turbas que se moviam em passeata, caminhariam em socorro uns aos outros, e última coisa que alguém quereria ouvir no momento seria campanha política.
Se algo, como uma tragédia assim nos atingisse, o desejo de vingança daria lugar ao sentimento de fraternidade, e as vidas que degladiavam-se em disputas se irmanariam para socorrer aos que precisassem e aquilo que damos um valor intenso seria de um valor tão pequeno que somente a vida de nosso semelhante nos importaria. Surgiriam novos heróis, não aqueles que disputam uma vaga no poder vigente, mas heróis na figura de pessoas que se doariam para salvar uma vida, resgatar um soterrado, curar um ferido, alimentar um faminto e fazendo algo em meio a dor estabelecida pela tragédia. Não haveria lados, o único lado que haveria seria o da ajuda, a única coisa que importaria seria não ficar parado enquanto alguém estivesse sofrendo. Haveria preces, rogos, pedidos, abraços, gestos de carinho em meio ao cansaço e os bens materiais perderiam o valor neste momento, pois diante da tragédia todos seriam irmãos. Não haveriam culpados, pois o meteoro viria do céu, como um imprevisto silenciando a todos e levando a uma reflexão profunda das ações de cada um.
Como hipoteticamente isto não vai acontecer, e nem quero que aconteça, resta um pedido: sejamos pelo menos racionais, uma vez que o que temos de mais nobre em nós é a humanidade. Tudo nesta vida, ainda que façamos com toda a paixão que pudermos não será bom se perdemos a noção de humanidade e fraternidade. Todos que vieram, são ou foram antes de nós comungam desta humanidade, com seus erros, problemas e defeitos, mas não só isso com seus valores e virtudes também. Se um dia, diante do imponderável for necessário darmos a mãos o que mais pesará em tudo será o fato de sermos humanos e que a vida tem um valor inestimável que superar toda e qualquer ideologia ou paixão.