Manicoré gera novos atritos na Assembleia 

Fotos: Danilo Melo- Decom/ALE
Chico Preto questiona o processo de posse e a Justiça


Emerson Quaresma
Especial para A CRÍTICA

A confusão na diplomação e posse do prefeito de Manicoré (município a 333 quilômetros de Manaus), Manoel de Oliveira Galdino (DEM), o Nena, ocorrida há dois dias no município, foi motivo de desentendimento, ontem, na Assembleia Legislativa do Estado (ALE) entre deputados aliados do prefeito recém-empossado e do ex-prefeito Emerson Pedraça de França (PMDB).

Os deputados Luiz Castro (PPS), Arthur Bisneto (PSDB) e Manoel do Carmo Chaves (DEM) criticaram a atitude de vereadores aliados de Emerson que tentaram impedir a Justiça de cumprir com o ato de diplomação e a Câmara de dar a posse. Já o deputado Marco Antônio Chico Preto (PMDB) criticou o juiz Odílio Costa Neto, e a forma usada para dar posse a Nena.

O deputado Chico Preto disse que a posse não poderia acontecer, uma vez que a decisão do TRE não foi publicada no Diário Oficial do Estado (DOE). "Houve atropelos por parte do juízo daquela comarca, que precisava ser mais sensato. Pelos relatos que me fizeram, a forma como tudo se deu pode ter exaltado a população", disse deputado.

O parlamentar observou que nem mesmo o quorum mínimo de vereadores foi observado durante a posse de Nena. "A Câmara de Manicoré tem nove vereadores, mas apenas três estavam na posse, enquanto quatro deles estavam detidos", afirmou.

Para Luiz Castro, o juiz Odílio agiu da única forma que poderia agir, uma vez que vereadores aliados do ex-prefeito fizeram resistência sem necessidade. "A policia prendeu várias pessoas que estava tacando pedra. Mesmo assim o presidente da Câmara disse que não deixaria ter a diplomação na Câmara e nem daria posse. Aí o juiz deu ordem de prisão por que estava com uma determinação judicial", relatou Castro.

Castro criticou o deputado Chico Preto por "dar ouvidos a aliados que não têm o preparo moral" e por não ter tido um "gesto de humildade e ser solidário aos colegas que forma alvo de pedradas". "Ele (Chico) precisa separar melhor as coisas, e precisa fazer uma autocrítica, antes mesmo de repercutir somente aquilo que seus aliados simplesmente lhe repassam", observou Castro.

De acordo com o deputado, a cassação de Emerson Pedraça se deu por conta de que seu vice-prefeito Waldomiro Gomes (PMDB) foi considerado inelegível por ter condenação com trânsito em julgado por desvio de recurso público, apurado no Tribunal de Contas da União (TCU).